relações profissionais e pessoais

Relações profissionais e pessoais podem se misturar?

Existe um cuidado a se tomar enquanto prestador de serviços ou fornecedor de produtos: as relações profissionais e pessoais não podem se misturar, sob pena de serem prejudicadas.

Relação profissional com amigos, parentes e afins. Uma potencial dor de cabeça:

A relação profissional com amigos e parentes é um tema que merece atenção, já que não raras vezes se observam erros no comportamento que podem se tornar problemas, talvez piores que os encontrados em relações com clientes fora da convivência cotidiana, e isto por um motivo: o vínculo pessoal.

O erro reside em abrir exceções, criar privilégios e com isto tornar a relação informal. Ledo engano.

É preciso ter em mente que relações profissionais e pessoais, uma vez misturadas, geram aborrecimentos e mesmo litígios judiciais.

Existe uma palavra que causa temor nas relações profissionais entre amigos ou parentes: contrato.

Ao invés de causar desconfiança, o contrato é o instrumento que deve fortalecer a confiança nas partes. Logo, em nada difere de uma relação entre pessoas estranhas.

Se mesmo nas relações pessoais existem limites, então por que não haveria em uma relação que é profissional? Ninguém contrata por ser amigo ou parente, mas sim pela expertise, que nada tem de pessoal.

Limites são necessários:

Enquanto amigo, cunhado ou tio, geralmente se respeitam limites, mas esta ideia se perde quando a relação é profissional.

Se existem limites nas relações pessoais é possível concluir que isto deve ocorrer nas profissionais.

Em nome de relações saudáveis, exceções e privilégios ficam de fora, ou as relações podem se deteriorar.

Portanto, para responder a questão dos cuidados ao se tomar em prestações de serviços a amigos e parentes, pode-se afirmar que não há cuidados especiais sobre o que fazer, mas sim sobre o que não deixar de fazer.

Como todo cliente, seu amigo ou parente deve assinar um contrato e ficar sujeito  à uma relação formal.

O direito contratual aplicado nas relações pessoais de forma profissional, como com qualquer cliente:

Partes, objeto, consentimento e forma são peças-chave do contrato. Estas questões, bem como seu entorno devem ser cuidadosamente inseridas e respeitadas.

A primeira delas, embora óbvia, é a recomendação de contrato sempre escrito. A legislação permite contratos verbais em boa parte dos casos, mas a insegurança que geram é grande. Logo, não é recomendável.

Acrescente-se que em relações profissionais com amigos e parentes existe a grande chance de ocorrer falhas na comunicação ou entendimentos errados devido à expectativa que a outra parte não necessariamente se obrigou a cumprir.

Exemplificando:

Se sua relação profissional, por exemplo, é com seu primo, não pode a sua tia intervir, agir e cobrar como se ele fosse, a não ser que tenha poderes de mandato através de procuração.

Aqui, vê-se que a mistura entre relações pessoais e profissionais se mostra altamente sensível.

Se não for o caso, evite. Se seu primo é o titular da relação, com ele devem ser ajustados todos os pontos.

Se o contrato for oneroso, evite exceções sobre preço, condições e forma de pagamento. Todo trabalho tem custos.

Em contratos não onerosos, caso opte o profissional pela não remuneração, dispensa de pagamento não é sinônimo de falta de regras.

Tolerar pagamentos atrasados constantemente ou sem data definida e sem aplicação de penalidades são problemas.

O contratante pode julgar ter direito a fazer o que e como quiser. E isto pode criar nova forma de obrigação contratual devido à tolerância e o decurso do tempo, chamadas de supressio e surrectio.

O próprio objeto do contrato pode ser alvo de problemas se não houver definição. Imaginando que seu primo precise se defender em uma ação cível, é preciso ajustar os limites da atuação, as provas a serem apresentadas, a responsabilidade do contratante, entre outros pontos, para assim informar o que pode ser oferecido em termos de serviço.

A indefinição trará dúvidas e ao prestar o serviço dentro do possível o mesmo entender que não o foi corretamente.

Estas são as questões principais, mas existem outras, tais como obediência a prazos, horários de atendimento, informações de riscos, posturas dos contratantes, valores por serviços adicionais, multas etc.

Conclusão:

Ao prestar serviços ou vender produtos a quem pertence à sua vida pessoal, não abra exceções que normalmente não abriria.

Seja cauteloso. Aplique as mesmas regras, como se fosse qualquer outra pessoa, pois é mais provável que um desgaste ocorra na relação porque expectativas foram nutridas pela falta de formalização das regras.

Não misture relações pessoais e profissionais, pois o risco de perder ambas é grande, não raro com traumas e disputas.

Portanto, sem definição de limites contratuais e obediência a eles, a relação pessoal que deveria ser profissional e não foi se transformará em uma relação de inimigos.

 

 

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